Chego em breve para te abraçar inteira.
És a primeira e serás a ultima que os meus olhos querem ver e comer.
Aqui te prometo o meu último suspiro, mesmo que a distância nos prive de nos amarmos juntas.
Lava os restos que é de mim e traz-me sangue novo e doce à alma.
Quero-te nua, crua, verdadeira.
O teu pior e o teu melhor.
Quero as tuas ruas, os teus sons, os teus ruídos, os teus prantos, os meus gemidos.
Chego para me amparar na tua calçada.
Beijarei teus pés com as minhas palavras,
E num canto eterno proclamar-me-ei tua,
Mesmo que me venda aos falsos anjos, por aí.
Da noite ao dia encher-te-ei da minha doce melancolia, aquela mesma que os fadistas entoam em solene harmonia.
De madrugada traz-me o prazer que se esconde em teus braços.
Dá-me as drogas que mereço, todo um álcool que me polua a alma e a escureça, para que eu não possa mais ver o que nela se esconde.
Dá-me tudo o que me possa levar ao clímax da maior inconsciência.
Deixa-me só consciente ao riso.
Prometo rir-te muito, e dançar em ti desfeita.
Preenche o meu coração, as minhas entranhas, as minhas preces e descrenças.
Devolve-me inocência, rouba-me a decência.
Faz de mim o teu voraz pecado.
Vem perder-te enfim comigo, Lisboa
Que chego em breve para te abraçar inteira,
E tão vazia de mim.

"De lisboa;
ResponderExcluirPara carlota:
Vem (já que [me] queres tanto) amar-me e devorar-me as ruas e becos e predios e pedras;
que eu espero-te de coraçao aberto na baixa;
cheia de incoerencia no cais;
coberta de natureza em monsanto;
vestida de rio de azul.
quando chegares avistar-me-as ao longe, espero que chegues e me abraçes cheia de fome de felicidade!"