Oiço o fado que me arrepia e presencio a nitidez da sobriedade que por alguma razão aprecio hoje.
A noite foi fantástica, mas assim que chego a casa desmancho-me em lágrimas.
Parti o ipad. Foda-se, parti o ecran do ipad.
Desato a chorar, depois desta noite maravilhosa.
Ultimamente, sinto-me pior.
A pior filha do mundo. A pior amante do mundo. A pior pessoa do mundo.
Minto. Não me sinto. Não me sinto de todo. Tudo o que vivo está além da pele, alheio à alma.
Que se passou, pergunto-me. Tive uma uma noite maravilhosa.
Mas depois sei, já que não és mulher. Tu és A mulher.
A minha mente mentiu-me a puta da noite toda.
E eu não choro pelo ipad partido, choro porque me partiste em mim.
Sinto na pele a condenação dos olhares que passam, parece que sabem.
Será que os meus olhos te transparecem em holograma enamorado?
O teu nome vem-me à mente e grita-me. Grita-me, grita-me, grita-me, GRITA-ME.
E eu já não posso olhar para esta guitarra vazia na minha frente, vazia. Sem te ter entre os braços.
Quero a tua voz. O teu toque que não sei decifrar entre o sexual e o maternal. Ou ambos.
Quero o teu sorriso tão, tão frágil, tão meu.
Não o que hoje exprimes.
Quero-te assim, imperfeita e frágil.
Enquanto caminho até casa recordo me do cheiro dos teus cabelos. Recordo-me dos teus cabelos.
Lindos, grandes. Já não os sei, bem como nada em ti.
Tudo o que [te] amo, sei conscientemente não ser mais do que uma ilusão disforme,
Que construíste para mim. Não te perdoou.
Saí dali.
Não me estava a trazer conforto algum provar outro sabor, além do teu.
A quem engano? Engano-me para te esquecer e nos beijos dela só recordo os teus.
Estou acordada sem sono absolutamente nenhum.
Não me gabam a sorte.
Porque o meu corpo e mente escolheu esta cruz pra si?
Aquele teu cheiro tão teu, tão doce, tão venenoso. Entrou e encheu toda uma sala.
Os teus olhos nos meus quando a minha voz se juntou com as cordas.
Aquilo que não esquecemos, consolidamos com os sexos.
Tu-vives-em-mim.
E vais fugir eternamente a isso, não conformada com os olhares e reprovação que nos rodeia, tudo isso aliado à tua carência insaciável, incontrolável, e à tua própria instabilidade mental provocada por abandonos, crenças, fragilidades e desejo interminável de vivências no limite da emoção.
E eu?
Estou aqui.

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