domingo, 24 de agosto de 2014

Gosto de ti

Envolvemos-nos por vezes em considerações estúpidas, e caímos no erro de medir aquilo que não se pode medir: o amor.
Diferente em cada circunstância e em cada olhar, em cada toque e em cada ferida. Nós amamos do jeito que precisamos, do jeito que nos faz sentido, impulsionados pelo que não nos preencheu com o tempo.

O ser humano na verdade é um eterno egoísta; Mesmo quando ama outrém, ama viciado. Ama na medida em que o preenche e alimenta, e a ilusão que se faz de um amor é a natural resposta ao medo. Da perda, da incerteza, da solidão.
Não sabemos nada. E o nada tem tanto de assustador como de empolgante. O que temos, é um diamante em bruto e um traço de combustível no chão, a poucos metros da fogueira que nos aquece. Estamos tão perto do abismo como da praia. Duas metades de uma só partícula. Temos tanto de igual como de diferente. Ainda assim, as nossas almas encaixam em perfeita harmonia. Como yin e yang, duas energias opostas. Tu és a escuridão e eu sou a luz. Completamo-nos a meio caminho. Tu dás-me as noites e eu dou-te os dias.

Foi esse encaixe que se deixou ficar no tempo, até que os nossos olhos se encontrassem de novo, e procurassem por fim os nossos corpos, e devorassem a nossa mente, e emburrecessem os nossos corações.

E sabes, eu gosto de ti. Mais do que amar, se é que sequer sei o que é, afinal, o amor. Gosto verdadeiramente de ti. Ninguém deveria amar, sem gostar primeiro. E tanta gente ama sem gostar. Por isso antes de todas as coisas, antes de qualquer coisa que possa dizer, ou escrever para ti, quero que te lembres e guardes no teu coração, e te venha à memória quando te sentes perdida, ou só, ou desamparada pela incerteza do amanhã e se irás vingar nas tuas conquistas, que eu gosto de ti.

E verás, com o tempo, o alento que isso traz.

Saber que cativámos, e que nos gostam por isso.


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