Curas-me os males, um a um, ao fim do dia, todos os dias.
Quando envolvo e deito a cabeça no travesseiro e me finjo adormecer nos teus seios.
E finjo o bater do teu coração com os ponteiros do relógio da mesinha de cabeceira.
E finjo o calor dos teus braços com o calor dos meus braços.
E finjo seres a mãe que não está e os amigos que já estão em casa e os tios que desconhecem as dores e o corpo que disfarça os soluços e o cérebro que ignora a causa todo o santo dia e o meu companheiro fiel que perdi pelo caminho e os mimos que compro que não te compram nem te ocupam o lugar.
Lembro-me estar só e isso pesa-me só em pequenas partículas do dia:
Neste quarto que não gosto,
No autocarro,
Nos regressos a casa,
Nas despedidas,
Nas festas de família.
Quando se festeja e se batem palmas e tudo à minha volta está ensurdecedoramente feliz.
Quando desligo o botão do lembrar-me que me basto.
- E basto-me,
99% do tempo.
Mas aquele 1%...
Aquele 1% parece fazer[es]-me falta por toda uma vida e quando vem,
Vem em força, vem sem dó, vem e arranca-me toda a maturidade emocional, toda a capacidade de raciocínio, toda a capacidade de ser mais forte.
Deita-me ao chão e aqui estou eu:
Agarrada a este travesseiro
Com a força de mil homens
A pedir a Deus que por mais uma vez nesta vida
Possa ser em teus braços onde me deito ao fim do dia.
Possa dormir sem medos.
Em Ti.
Em nós,
Em paz.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Corda
Sempre chega o dia em que os cansaços são mais fortes que nós.
Quando já não somos capazes de mais. Emocionalmente, espiritualmente, corporalmente.
Perante os amigos, perante a família, perante a vida, perante nós mesmos.
Estamos à força, sozinhos, em silêncio, a contrariar destinos, a remar contra marés, a querer acreditar no inacreditável - que os ventos se vão voltar a norte, que não vamos cair no esquecimento, que o batom faz a diferença, e o sermos o melhor de nós, e o estarmos aqui, e o amarmos assim tão incondicionalmente, deixar livre na esperança de ser um bocadinho nosso, e por fim, acreditar tão somente que ainda há uma chama, seja ela pequena...
Não.
Estamos no frio há imenso tempo.
Estou já sem sequer sentir a ponta dos dedos dos pés. Sem conseguir sair do mesmo lugar. Colada ao chão. Gelada, ao chão.
Há um pedaço de alma que me deixa, e morro lentamente.
Sempre achei que fosse o teu amor a matar-me.
O que me mata é a falta dele - vai-me matando aos poucos, como fazem as drogas. Como faz um cancro.
Estou a morrer.
Pensei que libertar-me fosse difícil,
Não.
Difícil é ficar.
Fui. Foste. E (pouco) fomos.
Não somos mais, não voltas.
E eu fico.
A ver-te esqueceres-te de mim mais um bocadinho, a cada dia que passa.
Ou então só a não te lembrares de mim, com a frequência que fazias.
Quando tu és ainda o meu primeiro pensamento.
Tive tão pouco tempo. Tive tão pouco tempo para te viver. És-me sempre a correr que finalmente percebi que não me és para seres.
Vou acabando por encher uma pasta cheia de imagens, e folhas cheias de tinta, coisas que vejo, sinto, observo. Ali, tudo o que me recorda de ti, as pequenas coisas do meu dia a dia em que estás, as pequenas coisas que tu gostas, as pequenas coisas que te fariam rir, sorrir, as pequenas coisas que te interessam.
Guardo-as.
Já não faz sentido mostrar-te o meu mundo. Partilhar o meu mundo, e o que vejo.
Hoje vais querer que outras se lembrem de ti durante o seu dia. Vais querer outros telefonemas. Outras mensagens. Outras surpresas.
E tudo o que possa fazer só vai trilhar caminho para a saturação. Sabes como sei? Porque é isso que as outras me fazem. Saturam-me. Farto-me de todas elas, dos seus gestos, das suas mensagens, telefonemas, e de quando se lembram de mim.
Estou farta da falta de reciprocidade, mas não há culpa, na falta de amor sentido.
Os dias passam e tudo muda um bocadinho mais, afastando-nos um bocadinho mais, o sentimento perde-se um bocadinho mais. Mas tu não reparas?
Só os que amam reparam, e silenciam as mortes que neles vão morrendo, um bocadinho mais.
O teu encanto por mim acabou e eu não suporto isso, não suporto viver com isso, não suporto a tua indiferença, e ser-te, apenas, o que hoje sou.
E sabes?
Está tarde, está muito tarde, e torna-se muito difícil. Muito pesado.
Tu queres paz.
Eu quero o mesmo.
Ainda não percebeste que tudo em nosso redor está em guerra?
As conversas têm cláusulas, e as emoções são reprimidas.
Este amor unilateral vai-me levar à loucura.
Estamos presas por uma linha
E eu não sei quanto tempo mais aguento a corda.
Tu vais matar-me.

Quando já não somos capazes de mais. Emocionalmente, espiritualmente, corporalmente.
Perante os amigos, perante a família, perante a vida, perante nós mesmos.
Estamos à força, sozinhos, em silêncio, a contrariar destinos, a remar contra marés, a querer acreditar no inacreditável - que os ventos se vão voltar a norte, que não vamos cair no esquecimento, que o batom faz a diferença, e o sermos o melhor de nós, e o estarmos aqui, e o amarmos assim tão incondicionalmente, deixar livre na esperança de ser um bocadinho nosso, e por fim, acreditar tão somente que ainda há uma chama, seja ela pequena...
Não.
Estamos no frio há imenso tempo.
Estou já sem sequer sentir a ponta dos dedos dos pés. Sem conseguir sair do mesmo lugar. Colada ao chão. Gelada, ao chão.
Há um pedaço de alma que me deixa, e morro lentamente.
Sempre achei que fosse o teu amor a matar-me.
O que me mata é a falta dele - vai-me matando aos poucos, como fazem as drogas. Como faz um cancro.
Estou a morrer.
Pensei que libertar-me fosse difícil,
Não.
Difícil é ficar.
Fui. Foste. E (pouco) fomos.
Não somos mais, não voltas.
E eu fico.
A ver-te esqueceres-te de mim mais um bocadinho, a cada dia que passa.
Ou então só a não te lembrares de mim, com a frequência que fazias.
Quando tu és ainda o meu primeiro pensamento.
Tive tão pouco tempo. Tive tão pouco tempo para te viver. És-me sempre a correr que finalmente percebi que não me és para seres.
Vou acabando por encher uma pasta cheia de imagens, e folhas cheias de tinta, coisas que vejo, sinto, observo. Ali, tudo o que me recorda de ti, as pequenas coisas do meu dia a dia em que estás, as pequenas coisas que tu gostas, as pequenas coisas que te fariam rir, sorrir, as pequenas coisas que te interessam.
Guardo-as.
Já não faz sentido mostrar-te o meu mundo. Partilhar o meu mundo, e o que vejo.
Hoje vais querer que outras se lembrem de ti durante o seu dia. Vais querer outros telefonemas. Outras mensagens. Outras surpresas.
E tudo o que possa fazer só vai trilhar caminho para a saturação. Sabes como sei? Porque é isso que as outras me fazem. Saturam-me. Farto-me de todas elas, dos seus gestos, das suas mensagens, telefonemas, e de quando se lembram de mim.
Estou farta da falta de reciprocidade, mas não há culpa, na falta de amor sentido.
Os dias passam e tudo muda um bocadinho mais, afastando-nos um bocadinho mais, o sentimento perde-se um bocadinho mais. Mas tu não reparas?
Só os que amam reparam, e silenciam as mortes que neles vão morrendo, um bocadinho mais.
O teu encanto por mim acabou e eu não suporto isso, não suporto viver com isso, não suporto a tua indiferença, e ser-te, apenas, o que hoje sou.
E sabes?
Está tarde, está muito tarde, e torna-se muito difícil. Muito pesado.
Tu queres paz.
Eu quero o mesmo.
Ainda não percebeste que tudo em nosso redor está em guerra?
As conversas têm cláusulas, e as emoções são reprimidas.
Este amor unilateral vai-me levar à loucura.
Estamos presas por uma linha
E eu não sei quanto tempo mais aguento a corda.
Tu vais matar-me.

terça-feira, 22 de setembro de 2015
Este cinzento céu que cinzento em mim propaga
Tenho 24 anos.
Por lapso, deixei escrever 42. Corrijo.
Sinto-me velha.
Os números não definem o que temos na alma.
Eu já só tenho um eu cansado.
Farto.
Só.
Percorro a cidade à procura de memórias.
Estão velhas como eu. Acabadas.
Não me trazem uma nostalgia boa.
Apertam-me o peito.
Cortam-me em pedaços.
Dilaceram-me.
Esvaziam-se encantos.
Este cinzento céu
Que cinzento em mim propaga
Faz chover-me os olhos
- Afoga-me o canto.
Por lapso, deixei escrever 42. Corrijo.
Sinto-me velha.
Os números não definem o que temos na alma.
Eu já só tenho um eu cansado.
Farto.
Só.
Percorro a cidade à procura de memórias.
Estão velhas como eu. Acabadas.
Não me trazem uma nostalgia boa.
Apertam-me o peito.
Cortam-me em pedaços.
Dilaceram-me.
Esvaziam-se encantos.
Este cinzento céu
Que cinzento em mim propaga
Faz chover-me os olhos
- Afoga-me o canto.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Caixa
Releio o teu conto,
Despeço-me.
Sei bem o que em ti há, e é isso, aquilo que me desperta uma coragem, uma realização de qualquer coisa maior que o chão que nos sustenta.
Sou uma pecadora nata no que toca a amar-te.
E estou tão farta deste amor como da tua distância.
Este vazio só se alastra aos pés e tropeça-me cansaços.
As lágrimas desistem de caír, já sem espaço.
Num mar de sal o corpo desgasta-se e perde tamanho e força.
[As vezes em que penso matar-me são menos assustadoras das que me lembro que vais.]
Peço perdão por este lapso emocional,
Que FOSTE.
Estou farta deste não egoísmo, que ao mesmo tempo desconhece deixar-te partir.
É um paradoxo rasco, tão denunciante do meu ser fraco.
Fraco.
Estou só destruída, corroída, ferida.
Apago as coisas para à força deixar de as ver.
De te ver.
E me emocionar de novo com a tua genialidade e graça.
Faço, e farei isto até te saber perto sem me seres meio de subsistência, de vida,
De mim.
Vou guardar-te mais uma vez numa caixa.
Como se faz com aquilo que ficou só memória no espaço.
[Ainda deambulavas sobre mim, e sobre o meu quarto]
E sinto estar-me a apagar o coração.
Tenho nojo dos carinhos das outras, tenho nojo das palavras das outras,
Tenho nojo quando me olham, me dedicam um olhar mais encantado.
Dá-me repulsa saber que acham, que acreditam,
Que se sentem capazes de me vir a pertencer...
Mas este coração fechado perde bocados da parede que lhe arranco sem dó
Chegou o momento de me deixar partir
Para o lado da vida que não há de ser ela.
Que não há de ser nunca mais ela.
A esperança sou só Eu.
Despeço-me.
Sei bem o que em ti há, e é isso, aquilo que me desperta uma coragem, uma realização de qualquer coisa maior que o chão que nos sustenta.
Sou uma pecadora nata no que toca a amar-te.
E estou tão farta deste amor como da tua distância.
Este vazio só se alastra aos pés e tropeça-me cansaços.
As lágrimas desistem de caír, já sem espaço.
Num mar de sal o corpo desgasta-se e perde tamanho e força.
[As vezes em que penso matar-me são menos assustadoras das que me lembro que vais.]
Peço perdão por este lapso emocional,
Que FOSTE.
Estou farta deste não egoísmo, que ao mesmo tempo desconhece deixar-te partir.
É um paradoxo rasco, tão denunciante do meu ser fraco.
Fraco.
Estou só destruída, corroída, ferida.
Apago as coisas para à força deixar de as ver.
De te ver.
E me emocionar de novo com a tua genialidade e graça.
Faço, e farei isto até te saber perto sem me seres meio de subsistência, de vida,
De mim.
Vou guardar-te mais uma vez numa caixa.
Como se faz com aquilo que ficou só memória no espaço.
[Ainda deambulavas sobre mim, e sobre o meu quarto]
E sinto estar-me a apagar o coração.
Tenho nojo dos carinhos das outras, tenho nojo das palavras das outras,
Tenho nojo quando me olham, me dedicam um olhar mais encantado.
Dá-me repulsa saber que acham, que acreditam,
Que se sentem capazes de me vir a pertencer...
Mas este coração fechado perde bocados da parede que lhe arranco sem dó
Chegou o momento de me deixar partir
Para o lado da vida que não há de ser ela.
Que não há de ser nunca mais ela.
A esperança sou só Eu.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Do tamanho do mundo, talvez um pouco mais
Oiço-te no escuro e tenho mais medo da tua proximidade à minha boca do que propriamente do negro que nos circunda.
Quero despir-te e não posso.
Quero beijar-te e não posso.
Quero que sejas minha, e não posso.
Só me resta amar-te na mesma proporção da escuridão do quarto. E ser eternamente tua, mesmo que disso não tires proveito.
Olha para ti a viver todo um sonho - Olha pra mim, que te perdi para ele.
Pois é, num duelo de sonhadores e emoções nem todos se ficam a rir.
Escrevo-te mais.
E nisto vou refinando uma genialidade que sempre se almeja e almeja-se humilde quando se teve bons conselhos.
Nos outros amores, não menos bonitos, não menos valiosos, apenas menos - vejo sempre um pouco de ti. Ou então não vejo e ando só a delirar-te.
Ainda te vejo nas ruas .
Onde as coisas são bonitas, vejo-te alegre.
Onde as coisas são tristes, vejo-te enquanto temes o que vem a seguir. Enquanto te deitam abaixo e não são capazes de ver para além do pouco – já te disse – que acabas por mostrar não sei bem porquê.
És a melhor vista de uma cidade que tu nem habitas. Por onde foste passando fiz-te rainha. Se tivesse dinheiro fazia-te um reino. Vivo duas vidas de te querer e de te seguir em frente porque é completamente inútil acreditar que algum dia me irás pôr à frente da lista.
As dúvidas vêm em força e quando vêm eu morro de medo por não seres nunca uma delas - És sempre certeza, nos piores dos cenários, és sempre certeza. Sempre foste.
E eu nunca fui boa a perdoar. Nunca foi boa a ver de uma perspectiva diferente da que eu já criei e construí em mim, sobre os outros. E no meio disto tudo, de algum preconceito e de alguma falta de tolerância, és o pedaço de alma rebelde. És o não quando o resto é sim e o sim quando o resto é não.
Tenho para ti uma paciência do tamanho do mundo. Uma compreensão do tamanho do mundo. Uma paz do tamanho do mundo. Uma voz do tamanho do mundo.
Inigualável, incomparável.
E se isto é amor,
Só amei uma vez.
Quero despir-te e não posso.
Quero beijar-te e não posso.
Quero que sejas minha, e não posso.
Só me resta amar-te na mesma proporção da escuridão do quarto. E ser eternamente tua, mesmo que disso não tires proveito.
Olha para ti a viver todo um sonho - Olha pra mim, que te perdi para ele.
Pois é, num duelo de sonhadores e emoções nem todos se ficam a rir.
Escrevo-te mais.
E nisto vou refinando uma genialidade que sempre se almeja e almeja-se humilde quando se teve bons conselhos.
Nos outros amores, não menos bonitos, não menos valiosos, apenas menos - vejo sempre um pouco de ti. Ou então não vejo e ando só a delirar-te.
Ainda te vejo nas ruas .
Onde as coisas são bonitas, vejo-te alegre.
Onde as coisas são tristes, vejo-te enquanto temes o que vem a seguir. Enquanto te deitam abaixo e não são capazes de ver para além do pouco – já te disse – que acabas por mostrar não sei bem porquê.
És a melhor vista de uma cidade que tu nem habitas. Por onde foste passando fiz-te rainha. Se tivesse dinheiro fazia-te um reino. Vivo duas vidas de te querer e de te seguir em frente porque é completamente inútil acreditar que algum dia me irás pôr à frente da lista.
As dúvidas vêm em força e quando vêm eu morro de medo por não seres nunca uma delas - És sempre certeza, nos piores dos cenários, és sempre certeza. Sempre foste.
E eu nunca fui boa a perdoar. Nunca foi boa a ver de uma perspectiva diferente da que eu já criei e construí em mim, sobre os outros. E no meio disto tudo, de algum preconceito e de alguma falta de tolerância, és o pedaço de alma rebelde. És o não quando o resto é sim e o sim quando o resto é não.
Tenho para ti uma paciência do tamanho do mundo. Uma compreensão do tamanho do mundo. Uma paz do tamanho do mundo. Uma voz do tamanho do mundo.
Inigualável, incomparável.
E se isto é amor,
Só amei uma vez.
terça-feira, 5 de maio de 2015
Excerto de algo melhor que ser bom
As diferenças entre ela e as outras mulheres, é que ela
sempre me leva a ser muito mais do que aquilo que eu sequer penso ser.
E isto é importante.
Nos braços de outras mulheres as coisas correm sempre de
forma bastante equilibrada e mediana. Não estou a dizer que não é bom. Na
verdade, é exatamente isso que é. É bom. E todos nós sabemos que para uma
relação funcionar é bom que a coisa não seja assim para o muito excessivo,
porque atrapalha.
O que já não é tão bom é que vivamos em arrependimento.
De tudo o que não fizemos. Dos “sim”que não dissemos. Das
noites que não passámos. De termos pensado tanto em nada e termos feito nada a
tanto.
Para quê?
Agora eu vou terminar o curso e ter o mundo a meus pés.
Oportunidades, dinheiro se quiser. A casinha dos pais se me apetecer. Uma boa
vida como tenho tanta potencialidade para ter.
Até posso casar. Aprender a andar a cavalo. Construir uma
casa no campo. Ser tão visualmente feliz
que até o coração se há de enganar.
Mas na verdade eu só quero aqueles braços, aqueles olhos,
aquele calor, aquela alma.
E a expressão “amor e uma cabana” é capaz de ser dita em tom
depreciativo, pelo menos, pelos mais espertos. E desse grupo me excluo se for
para dar mais sentido e reflexão ao que eu não quero mais refletir e
contrariar. Para dizer mesmo a verdade, eu dispenso a cabana.
Basta-me mesmo ela, e vai-me sempre bastar.
Com,
Ou sem ela.quinta-feira, 23 de abril de 2015
Até já
Deposito Lisboa nas tuas mãos
Sincera despede-se de ti num adeus
Mais curto que os sonhos que fizemos
Sob a calçada que desce ao cais
Esvazio medos em tom de uma dança que se eleva à tua partida.
Entrego-te à lua
Que me guarda de longe.
Os teus olhos nos espelhos que
Me refletem quando passo por eles.
Em ti toda uma esperança de me sentir melhor por mais tempo,
De me sentir maior dentro e fora de mim.
Num soneto pouco experiente
Porém o canto é afinado
Desmonto ideias do que pode ser.
Entrego-me ao destino numa prece
Muito Minha,
Muito dos deuses,
Se os há.
Não é ousado o que sonho.
Projectos incertos, tão certos.
Tão incertos.
A capacidade de poder voar
A incerteza de que o céu será meu.
Uma fé dos que se instalam
Ilumina-me um caminho a direito
Turvo.
Eles querem voltar.
Eu quero partir e reencontrar noutros [a]braços, noutras ruas, noutros cantos,
Um coração tão grande, tão vivo,
Como o que se dá a Lisboa.
Até já
Sincera despede-se de ti num adeus
Mais curto que os sonhos que fizemos
Sob a calçada que desce ao cais
Esvazio medos em tom de uma dança que se eleva à tua partida.
Entrego-te à lua
Que me guarda de longe.
Os teus olhos nos espelhos que
Me refletem quando passo por eles.
Em ti toda uma esperança de me sentir melhor por mais tempo,
De me sentir maior dentro e fora de mim.
Num soneto pouco experiente
Porém o canto é afinado
Desmonto ideias do que pode ser.
Entrego-me ao destino numa prece
Muito Minha,
Muito dos deuses,
Se os há.
Não é ousado o que sonho.
Projectos incertos, tão certos.
Tão incertos.
A capacidade de poder voar
A incerteza de que o céu será meu.
Uma fé dos que se instalam
Ilumina-me um caminho a direito
Turvo.
Eles querem voltar.
Eu quero partir e reencontrar noutros [a]braços, noutras ruas, noutros cantos,
Um coração tão grande, tão vivo,
Como o que se dá a Lisboa.
Até já
segunda-feira, 23 de março de 2015
Perguntas, respostas e o que fica no meio disso.
Tenho a forte pretensão de saber que te sei.
Acredites ou não,
Tenho-te em mim como o relógio tem o tempo.
Há uma inevitabilidade que nos cerca, mesmo quando não somos feitas para partilhar o mesmo tecto.
Sem queixas.
Devemo-nos afastar do que não é para nós.
Antes dizendo,
Devemos saber o que não é para nós.
Depois especulas sobre a vida e revestes um tom acertado às dúvidas.
E eu especulo que de qualquer das formas tu não és para ninguém senão pra ti.
E ao mesmo tempo que todos merecemos [e de certa forma temos] de ser amados.
Tu proteges-te assim e eu protejo-me a contar as estrelas à volta da lua.
A questão é que ninguem ganha neste jogo sórdido.
Tu queres o mundo e a novidade,
E eu sempre soube um pouco melhor o que queria em primeiro lugar.
E depois em segundo eu quero o mundo e a novidade.
Pecamos por nos mentirmos, mais que aos outros.
Pecamos quando a verdade nao é correspondida.
Não. Pecam por nós.
Quis ver-te e juntar as peças quando nem as sabia.
Cedo demais.
Seremos sempre um puzzle incompleto-
Não temos fim.
Não temos os meios. Ou não os sabemos saber.
E os começos foram desacertos.
Depois chega o fim do dia,
E eu sei todas as respostas
Que não batem com as tuas perguntas.
Acredites ou não,
Tenho-te em mim como o relógio tem o tempo.
Há uma inevitabilidade que nos cerca, mesmo quando não somos feitas para partilhar o mesmo tecto.
Sem queixas.
Devemo-nos afastar do que não é para nós.
Antes dizendo,
Devemos saber o que não é para nós.
Depois especulas sobre a vida e revestes um tom acertado às dúvidas.
E eu especulo que de qualquer das formas tu não és para ninguém senão pra ti.
E ao mesmo tempo que todos merecemos [e de certa forma temos] de ser amados.
Tu proteges-te assim e eu protejo-me a contar as estrelas à volta da lua.
A questão é que ninguem ganha neste jogo sórdido.
Tu queres o mundo e a novidade,
E eu sempre soube um pouco melhor o que queria em primeiro lugar.
E depois em segundo eu quero o mundo e a novidade.
Pecamos por nos mentirmos, mais que aos outros.
Pecamos quando a verdade nao é correspondida.
Não. Pecam por nós.
Quis ver-te e juntar as peças quando nem as sabia.
Cedo demais.
Seremos sempre um puzzle incompleto-
Não temos fim.
Não temos os meios. Ou não os sabemos saber.
E os começos foram desacertos.
Depois chega o fim do dia,
E eu sei todas as respostas
Que não batem com as tuas perguntas.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Viajei
Viajei
Para longe de mim, onde os pássaros cantam alto.
Na verdade tudo é mais alto e claro,
Daqui.
Toda uma serenidade invade-me o coração e o peito,
Outrora corrompido pela poluição que reveste as ruas dos sonhos por realizar.
Vagueio com a consciência de um inconsciente,
Tão ou mais desperto que nós.
As horas são todo o tempo e todo o tempo não tem horas,
Não há nada para fazer
Mas isso não incomoda.
É só um estar sem estar de pés no chão.
Um estar que observa sem pensar.
Que sente só luz e dia
Mesmo quando é noite.
Renasci sob a forma de anjo e sou tudo o que não era,
Mais um pouco.
Não há perguntas nem respostas.
Nem raciocínios.
Nem a melancolia de se estar sem estar presente.
É um estar sem estar,
Mas que me sabe a vida.
Para longe de mim, onde os pássaros cantam alto.
Na verdade tudo é mais alto e claro,
Daqui.
Toda uma serenidade invade-me o coração e o peito,
Outrora corrompido pela poluição que reveste as ruas dos sonhos por realizar.
Vagueio com a consciência de um inconsciente,
Tão ou mais desperto que nós.
As horas são todo o tempo e todo o tempo não tem horas,
Não há nada para fazer
Mas isso não incomoda.
É só um estar sem estar de pés no chão.
Um estar que observa sem pensar.
Que sente só luz e dia
Mesmo quando é noite.
Renasci sob a forma de anjo e sou tudo o que não era,
Mais um pouco.
Não há perguntas nem respostas.
Nem raciocínios.
Nem a melancolia de se estar sem estar presente.
É um estar sem estar,
Mas que me sabe a vida.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Não se pode fartar de arte
Vocês não sabem o que está por trás desses olhares que pela rua passam
Que o frio se ocupa das almas primeiro que das ruas
E o respeito leva-nos a fingir que somos donos de sorrisos expostos como montras de loja para enganar a gente, os empregadores, as famílias, e os amores que salvam outros amores.
Cada um tem a sua meta
São umas mais curtas que as outras.
Depois disso,
O que resta?
Acordares adormecidos.
Ciclos viciosos de fazer o mesmo à espera que passe o dia
E para os não corajosos,
À espera que a morte venha
Já que não a conseguimos impôr ao nosso medo das alturas.
Vais-te fartar de mim, dizia
Enquanto dava mais um gole no café bem mais quente que ela
E eu formulava considerações acerca do que é que se deve revelar e em que altura,
Especialmente quando estamos perante o começo de tudo aquilo que é o começar a sentir mais forte tudo e enfraquecer aos bocados de papel atirados para a parte do cérebro que apaga impulsos.
Voltando à terra.
Ela está a falar de todos aqueles seus medos pouco diferentes dos meus,
E defeitos que me desafiam a calma.
Fuma o cigarro com a elegância de quem está a ser filmado para o filme do ano - a cena intemporal que fica na cabeça dos temporais desfeitos - que encena dentro dos seus pijamas maltratados e velhos do tempo
Mais velhos que ela, que não envelhece senão no amor.
Quero-a tanto nos meus braços, mesmo a tendo nos meus braços.
No antes e no depois dos encontros já tomava forma de qualquer coisa de muito em mim, tinha-a de formas diferentes.
Ainda tenho.
Sinto-a sempre numa parte de mim - A mais escura. A mais perdida. A mais vulnerável.
A mais bonita.
Esboço um sorriso tão frágil
Como o tempo que temos para viver esta fantasia.
Prometo ficar-te,
Prometes-me que me vou fartar de ti.
Adivinha agora,
Não se pode fartar de arte.
Que o frio se ocupa das almas primeiro que das ruas
E o respeito leva-nos a fingir que somos donos de sorrisos expostos como montras de loja para enganar a gente, os empregadores, as famílias, e os amores que salvam outros amores.
Cada um tem a sua meta
São umas mais curtas que as outras.
Depois disso,
O que resta?
Acordares adormecidos.
Ciclos viciosos de fazer o mesmo à espera que passe o dia
E para os não corajosos,
À espera que a morte venha
Já que não a conseguimos impôr ao nosso medo das alturas.
Vais-te fartar de mim, dizia
Enquanto dava mais um gole no café bem mais quente que ela
E eu formulava considerações acerca do que é que se deve revelar e em que altura,
Especialmente quando estamos perante o começo de tudo aquilo que é o começar a sentir mais forte tudo e enfraquecer aos bocados de papel atirados para a parte do cérebro que apaga impulsos.
Voltando à terra.
Ela está a falar de todos aqueles seus medos pouco diferentes dos meus,
E defeitos que me desafiam a calma.
Fuma o cigarro com a elegância de quem está a ser filmado para o filme do ano - a cena intemporal que fica na cabeça dos temporais desfeitos - que encena dentro dos seus pijamas maltratados e velhos do tempo
Mais velhos que ela, que não envelhece senão no amor.
Quero-a tanto nos meus braços, mesmo a tendo nos meus braços.
No antes e no depois dos encontros já tomava forma de qualquer coisa de muito em mim, tinha-a de formas diferentes.
Ainda tenho.
Sinto-a sempre numa parte de mim - A mais escura. A mais perdida. A mais vulnerável.
A mais bonita.
Esboço um sorriso tão frágil
Como o tempo que temos para viver esta fantasia.
Prometo ficar-te,
Prometes-me que me vou fartar de ti.
Adivinha agora,
Não se pode fartar de arte.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Dá o teu melhor
Hás de a fazer feliz, o máximo que alguém pode fazê-la feliz.
Mas fá-lo, está bem?
Dá o teu melhor.
E ela há de continuar a tentar encontrar-se, e há de encontrar-se nuns dias, e perder-se noutros.
Eu já não me importo de ser uma mera espectadora daquele misto de fraqueza e genialidade num só e quase ao mesmo tempo.
Há sim, genialidade nela. Se calhar já te apercebeste. Os atentos poderão constatá-lo se lhes apetecer, e souberem olhar além da carne, das fraquezas e das falhas.
Tens nas mãos, a mulher mais imperfeita e a imperfeição mais perfeita.
E ela nunca será inteiramente tua, porque não é de ninguém. E sempre será do mundo.
É como uma obra de arte no tempo se eu quiser tentar descrevê-la, e ao tentar já peco em erro;
O tempo desgasta-a e deixa as suas marcas, mas continua a ser obra, e arte. Há algo de intemporalmente belo e perfeito só por o ser e da maneira que o é, porque é arte, e tu sentes.
Como uma escultura, está ali ao olhar de todos mas há sempre um pouco de si que nunca nos vai pertencer.
Nem a mim, nem a ti.
Ontem vi-a passar por mero acaso, e vejo-a sempre deste mesmo modo;
Cansada, e ainda assim, sempre com um brilho nos olhos, mesmo que triste.
Um rosto de criança, por mais que a idade lhe revista o corpo.
E alguns sonhos inocentes misturados hoje com uma percepção mais consolidada do mundo. E de si.
Vai pelas ruas com uma pressa desconhecida de quem corre atrás do que sabe, e ela só sabe que quer correr atrás, sem saber bem atrás do quê.
E ninguém a apanha nem apanhará porque por mais que se queira fazer do mundo, ou então de uma mulher só, há sempre um pouco dela, que fica nela, ou por aí sem saber bem onde se instalar.
Talvez ela não o saiba dar.
E embora eu não deixe de invejar o teu papel, parte de mim sabe que é bem melhor assim - Não a ter.
Deste modo nunca a poderei perder.
No fundo foi sempre isto que quis- que fosse eterno.
Eu sei que não me quer, mas não verto nem mais uma lágrima.
Hás de a fazer feliz, o máximo que alguém pode fazê-la feliz.
Mas fá-lo, está bem?
Dá o teu melhor.
Mas fá-lo, está bem?
Dá o teu melhor.
E ela há de continuar a tentar encontrar-se, e há de encontrar-se nuns dias, e perder-se noutros.
Eu já não me importo de ser uma mera espectadora daquele misto de fraqueza e genialidade num só e quase ao mesmo tempo.
Há sim, genialidade nela. Se calhar já te apercebeste. Os atentos poderão constatá-lo se lhes apetecer, e souberem olhar além da carne, das fraquezas e das falhas.
Tens nas mãos, a mulher mais imperfeita e a imperfeição mais perfeita.
E ela nunca será inteiramente tua, porque não é de ninguém. E sempre será do mundo.
É como uma obra de arte no tempo se eu quiser tentar descrevê-la, e ao tentar já peco em erro;
O tempo desgasta-a e deixa as suas marcas, mas continua a ser obra, e arte. Há algo de intemporalmente belo e perfeito só por o ser e da maneira que o é, porque é arte, e tu sentes.
Como uma escultura, está ali ao olhar de todos mas há sempre um pouco de si que nunca nos vai pertencer.
Nem a mim, nem a ti.
Ontem vi-a passar por mero acaso, e vejo-a sempre deste mesmo modo;
Cansada, e ainda assim, sempre com um brilho nos olhos, mesmo que triste.
Um rosto de criança, por mais que a idade lhe revista o corpo.
E alguns sonhos inocentes misturados hoje com uma percepção mais consolidada do mundo. E de si.
Vai pelas ruas com uma pressa desconhecida de quem corre atrás do que sabe, e ela só sabe que quer correr atrás, sem saber bem atrás do quê.
E ninguém a apanha nem apanhará porque por mais que se queira fazer do mundo, ou então de uma mulher só, há sempre um pouco dela, que fica nela, ou por aí sem saber bem onde se instalar.
Talvez ela não o saiba dar.
E embora eu não deixe de invejar o teu papel, parte de mim sabe que é bem melhor assim - Não a ter.
Deste modo nunca a poderei perder.
No fundo foi sempre isto que quis- que fosse eterno.
Eu sei que não me quer, mas não verto nem mais uma lágrima.
Hás de a fazer feliz, o máximo que alguém pode fazê-la feliz.
Mas fá-lo, está bem?
Dá o teu melhor.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
faltas[-me.]
Estás aí.
Eu aqui.
Sinto faltas
- Faltas-me.
Aguento cá dentro
- respeito-te.
Aguentas-me,
No peito.
Estilhaço os tempos,
Com promessas
De esperar por reunir
As peças
Que faltam
Em mim,
Pra ti.
Se é ilusão,
Que seja:
Se me levanta
E beija.
Se me empurra
Do chão,
Se o choro dá
Canção.
Hás de ser só
Memórias,
Quando eu parar
Com as histórias
De ver em ti
Futuro
É só a ti
que juro
Dar, pra sempre, a mão.
Eu aqui.
Sinto faltas
- Faltas-me.
Aguento cá dentro
- respeito-te.
Aguentas-me,
No peito.
Estilhaço os tempos,
Com promessas
De esperar por reunir
As peças
Que faltam
Em mim,
Pra ti.
Se é ilusão,
Que seja:
Se me levanta
E beija.
Se me empurra
Do chão,
Se o choro dá
Canção.
Hás de ser só
Memórias,
Quando eu parar
Com as histórias
De ver em ti
Futuro
É só a ti
que juro
Dar, pra sempre, a mão.
domingo, 4 de janeiro de 2015
Distâncias que aproximam
Relações à distância podem parecer ser a coisa mais estúpida que o ser humano se propõe a viver.
Eu mesma concordo com isso. [na verdade concordo com tudo o que não andei a praticar nestes últimos meses, para ser mais precisa.]
Não vejo o propósito de investirmos em algo quando a pessoa se encontra a quilómetros de distância. Para quê?
Mas depois vem o factor acidente, o factor acontece, que torna tudo isso muito mais difícil de racionalizar.
Continuo sem saber ainda qual foi o momento exacto em que me deixei apaixonar. Em que começei a esperar respostas, bons dias, cartas, chamadas...
Não sei como nem porquê. Acho que é assim, não é? Nunca o sabemos, quando é genuíno.
A verdade é que podemos acabar por nos encaixar psicologicamente com quem fisicamente se encontra na outra parte do mundo, constato.A verdade é que ainda tenho muito por resolver com a minha cabeça e com o meu coração - um percurso longo de aceitação daquilo em que acreditei por anos a fio, e preparo-me de mochila às costas, porque tem de ser e está na hora. A verdade é que eu me senti tão disponível para me apaixonar, como indisponível para amar.
E ela sabe.
Sabe disso, e das minhas falhas porque eu estou cansada de fazer teatro, mesmo que seja encenado em prol do outro. Portanto decido-me a ser eu mesma, mesmo que cansada e farta e stressada e a precisar de momentos em que não quero tão somente falar com absolutamente ninguém, e não falo, porque às vezes temos de parar de ser para o outro e ser um bocadinho só para nós.
E ela está aqui.
E espera.
E compreende.
Sinto-me segura, e aliviada, de saber que posso ter tempo para mim. Que mesmo não estando completamente disponível, que tenho tempo e espaço para resolver o que falta. De saber que posso estar comigo mesma, porque sei que quando me apetece voltar
Ela está à minha espera de braços abertos.
E se há alguma lógica a que chamam destino naquilo que vivemos então ela não caíu do céu acidentalmente - Não devemos precisar dos outros mas eu preciso dela mais do que ela imagina - Fui salva de mim.
De mim e do rumo que a minha cabeça estava a tomar - e de vez enquanto ainda toma nas horas, quando me esqueço do que vale a pena lembrar.
Preciso, quando deixo de lutar, porque eventualmente sempre deixo, que agarrem na espada e continuem a luta, por mim. Nem sempre sou capaz de lutar lado a lado.
Preciso sentir segurança, aquela que falta em mim
E ela é isso.
A 1150km de distância, ela é isso.
A segurança. O carinho. A voz.
Não sei se tomei a decisão certa, mas nunca o sei de cada decisão que tomo, quem o sabe?
Às vezes tomamos as piores decisões com as pessoas que se encontram a 50 metros de nós, não é?
E o que sei, agora, é que 2015 vai ser um ano de muitas viagens, que por acaso é o meu passatempo favorito:
Fugir.
Par o bem ou para o mal, certo ou errado, nada me sabe melhor que
Fugir.
Da minha realidade, da minha idade, dos meus amigos, da minha família, de mim.
Tem dias em que penso desistir do mundo. Tem dias que não me apetece nem falar,
Mas naquela hora em que me liga, mesmo quando, às vezes, nem isso me apetece, e começamos a falar de mim, de nós, da vida, sai-me um peso de cima.
Sinto-me leve. Calma. Aceite. Segura.
A verdade é que este texto não vos vem dizer nada de mais, mas era merecida a menção.
Continuo sem saber aonde isto nos vai levar [nunca se sabe]
Até quando isto nos vai levar [nunca se sabe]
Mas desde já:
Obrigada.
Eu mesma concordo com isso. [na verdade concordo com tudo o que não andei a praticar nestes últimos meses, para ser mais precisa.]
Não vejo o propósito de investirmos em algo quando a pessoa se encontra a quilómetros de distância. Para quê?
Mas depois vem o factor acidente, o factor acontece, que torna tudo isso muito mais difícil de racionalizar.
Continuo sem saber ainda qual foi o momento exacto em que me deixei apaixonar. Em que começei a esperar respostas, bons dias, cartas, chamadas...
Não sei como nem porquê. Acho que é assim, não é? Nunca o sabemos, quando é genuíno.
A verdade é que podemos acabar por nos encaixar psicologicamente com quem fisicamente se encontra na outra parte do mundo, constato.A verdade é que ainda tenho muito por resolver com a minha cabeça e com o meu coração - um percurso longo de aceitação daquilo em que acreditei por anos a fio, e preparo-me de mochila às costas, porque tem de ser e está na hora. A verdade é que eu me senti tão disponível para me apaixonar, como indisponível para amar.
E ela sabe.
Sabe disso, e das minhas falhas porque eu estou cansada de fazer teatro, mesmo que seja encenado em prol do outro. Portanto decido-me a ser eu mesma, mesmo que cansada e farta e stressada e a precisar de momentos em que não quero tão somente falar com absolutamente ninguém, e não falo, porque às vezes temos de parar de ser para o outro e ser um bocadinho só para nós.
E ela está aqui.
E espera.
E compreende.
Sinto-me segura, e aliviada, de saber que posso ter tempo para mim. Que mesmo não estando completamente disponível, que tenho tempo e espaço para resolver o que falta. De saber que posso estar comigo mesma, porque sei que quando me apetece voltar
Ela está à minha espera de braços abertos.
E se há alguma lógica a que chamam destino naquilo que vivemos então ela não caíu do céu acidentalmente - Não devemos precisar dos outros mas eu preciso dela mais do que ela imagina - Fui salva de mim.
De mim e do rumo que a minha cabeça estava a tomar - e de vez enquanto ainda toma nas horas, quando me esqueço do que vale a pena lembrar.
Preciso, quando deixo de lutar, porque eventualmente sempre deixo, que agarrem na espada e continuem a luta, por mim. Nem sempre sou capaz de lutar lado a lado.
Preciso sentir segurança, aquela que falta em mim
E ela é isso.
A 1150km de distância, ela é isso.
A segurança. O carinho. A voz.
Não sei se tomei a decisão certa, mas nunca o sei de cada decisão que tomo, quem o sabe?
Às vezes tomamos as piores decisões com as pessoas que se encontram a 50 metros de nós, não é?
E o que sei, agora, é que 2015 vai ser um ano de muitas viagens, que por acaso é o meu passatempo favorito:
Fugir.
Par o bem ou para o mal, certo ou errado, nada me sabe melhor que
Fugir.
Da minha realidade, da minha idade, dos meus amigos, da minha família, de mim.
Tem dias em que penso desistir do mundo. Tem dias que não me apetece nem falar,
Mas naquela hora em que me liga, mesmo quando, às vezes, nem isso me apetece, e começamos a falar de mim, de nós, da vida, sai-me um peso de cima.
Sinto-me leve. Calma. Aceite. Segura.
A verdade é que este texto não vos vem dizer nada de mais, mas era merecida a menção.
Continuo sem saber aonde isto nos vai levar [nunca se sabe]
Até quando isto nos vai levar [nunca se sabe]
Mas desde já:
Obrigada.
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