Hás de a fazer feliz, o máximo que alguém pode fazê-la feliz.
Mas fá-lo, está bem?
Dá o teu melhor.
E ela há de continuar a tentar encontrar-se, e há de encontrar-se nuns dias, e perder-se noutros.
Eu já não me importo de ser uma mera espectadora daquele misto de fraqueza e genialidade num só e quase ao mesmo tempo.
Há sim, genialidade nela. Se calhar já te apercebeste. Os atentos poderão constatá-lo se lhes apetecer, e souberem olhar além da carne, das fraquezas e das falhas.
Tens nas mãos, a mulher mais imperfeita e a imperfeição mais perfeita.
E ela nunca será inteiramente tua, porque não é de ninguém. E sempre será do mundo.
É como uma obra de arte no tempo se eu quiser tentar descrevê-la, e ao tentar já peco em erro;
O tempo desgasta-a e deixa as suas marcas, mas continua a ser obra, e arte. Há algo de intemporalmente belo e perfeito só por o ser e da maneira que o é, porque é arte, e tu sentes.
Como uma escultura, está ali ao olhar de todos mas há sempre um pouco de si que nunca nos vai pertencer.
Nem a mim, nem a ti.
Ontem vi-a passar por mero acaso, e vejo-a sempre deste mesmo modo;
Cansada, e ainda assim, sempre com um brilho nos olhos, mesmo que triste.
Um rosto de criança, por mais que a idade lhe revista o corpo.
E alguns sonhos inocentes misturados hoje com uma percepção mais consolidada do mundo. E de si.
Vai pelas ruas com uma pressa desconhecida de quem corre atrás do que sabe, e ela só sabe que quer correr atrás, sem saber bem atrás do quê.
E ninguém a apanha nem apanhará porque por mais que se queira fazer do mundo, ou então de uma mulher só, há sempre um pouco dela, que fica nela, ou por aí sem saber bem onde se instalar.
Talvez ela não o saiba dar.
E embora eu não deixe de invejar o teu papel, parte de mim sabe que é bem melhor assim - Não a ter.
Deste modo nunca a poderei perder.
No fundo foi sempre isto que quis- que fosse eterno.
Eu sei que não me quer, mas não verto nem mais uma lágrima.
Hás de a fazer feliz, o máximo que alguém pode fazê-la feliz.
Mas fá-lo, está bem?
Dá o teu melhor.

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