quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Não se pode fartar de arte

Vocês não sabem o que está por trás desses olhares que pela rua passam
Que o frio se ocupa das almas primeiro que das ruas
E o respeito leva-nos a fingir que somos donos de sorrisos expostos como montras de loja para enganar a gente, os empregadores, as famílias, e os amores que salvam outros amores.
Cada um tem a sua meta
São umas mais curtas que as outras.
Depois disso,
O que resta?
Acordares adormecidos.
Ciclos viciosos de fazer o mesmo à espera que passe o dia
E para os não corajosos,
À espera que a morte venha
Já que não a conseguimos impôr ao nosso medo das alturas.
Vais-te fartar de mim, dizia
Enquanto dava mais um gole no café bem mais quente que ela
E eu formulava considerações acerca do que é que se deve revelar e em que altura,
Especialmente quando estamos perante o começo de tudo aquilo que é o começar a sentir mais forte tudo e enfraquecer aos bocados de papel atirados para a parte do cérebro que apaga impulsos.
Voltando à terra.
Ela está a falar de todos aqueles seus medos pouco diferentes dos meus,
E defeitos que me desafiam a calma.
Fuma o cigarro com a elegância de quem está a ser filmado para o filme do ano - a cena intemporal que fica na cabeça dos temporais desfeitos - que encena dentro dos seus pijamas maltratados e velhos do tempo
Mais velhos que ela, que não envelhece senão no amor.
Quero-a tanto nos meus braços, mesmo a tendo nos meus braços.
No antes e no depois dos encontros já tomava forma de qualquer coisa de muito em mim, tinha-a de formas diferentes.
Ainda tenho.
Sinto-a sempre numa parte de mim - A mais escura. A mais perdida. A mais vulnerável.
A mais bonita.
Esboço um sorriso tão frágil
Como o tempo que temos para viver esta fantasia.
Prometo ficar-te,
Prometes-me que me vou fartar de ti.
Adivinha agora,

Não se pode fartar de arte.


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