Um caos constante instalado no meu quarto representa com rigor o meu caos interior.
A quem engano se disser que este não é o meu estado favorito
Podre, decadente, alcoolizada, e consequentemente genial.
Eu hoje cedi à dor. É o que os domingos, as manhãs e as noites quando te vais deitar fazem.
Não escrevo para te dar palavras, já nao as há.
Não te escrevo para te trazer conhecimentos novos, já não o são.
Eu continuo a fazer de ti uma presença feminina, estática, doce,
Presa às paredes das ruas e dos quartos e das outras,
Para colmatar o silêncio em que me envolveste.
Nunca pensei que o resto da história fosse perder-te de novo,
Perder o teu como estás, perder cafés.
E não me aflige mais saber que hoje não me pertences,
Mas ser a tua passagem sempre breve e contada.
E no resto do tempo,
Quem és?
Quero lutar contra o sentimento que vai crescendo de que não preciso de ti,
Precisando sempre,
Porque ainda que precise tu não estás e não queres estar.
E eu mascaro-me me do melhor que te posso dar, mesmo que nunca mais to dê, para afastar a real percepção que não sou o que queres receber,
E não me culpar por isso.
O teu silêncio é um grito ensurdecedor,
Que eu julguei não mais ter de ouvir.
Como és capaz de me voltar a negar um abraço,
Desses teus que me curam e salvam,
Mesmo que por compaixão fosse.
Tu estás bem, resolvida, apaixonada, destemida.
E eu estou a caminhar sem rumo, a resolver-me só.
Sei que te afastas a medo de esperar de ti mais do que devo esperar de ti,
E eu volto a dizer que o que me queres dar basta,
O que me queres dar e não dás porque devo desligar-te em mim.
Mas o teu silêncio, esse...
Só não me basta o teu silêncio, a tua despreocupada indiferença,
E como todos os apaixonados, eu só queria que soubesses,
[E me desculpasses mais uma vez]
Por estar a precisar de ti.

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