Como ela fica bonita a dormir a meu lado.
Dou-lhe um beijo na testa, sinal de respeito,
E corro para a cozinha.
Preparo-lhe o pequeno almoço, como ela gosta.
O seu sumo favorito, as torradas do costume, o café na máquina italiana, que aprendi a fazer.
Por breves momentos pensei, que me acostumava a isso.
Novamente a medo, não o sussurrei quando ela abriu os olhos e me viu a seu lado, de pequeno almoço pronto.
Hoje é um dia calmo, e nem tão frio, nem tão quente.
Oiço os pássaros lá fora, e além desses, só o silêncio.
E a sua respiração.
E eu não me lembro ter sorriso mais real do que o que esbocei quando os seus olhos se abriram,
De um verde pouco desperto e terno.
Ela bastava-me e eu não lho disse convenientemente,
Que talvez até mudasse, talvez emigrasse, ou casasse,
Disse sempre,
Que não.
Acordo-me. Lá estou eu a sonhar.
Sento-me na cama.
A falta dela invade-me até aos olhos, e dos olhos até ao pescoço, abaixo
E desço em lágrimas para o quarto dos pais,
Que estou no começo da idade adulta,
A tentar aprender o que é amar sem birras,
Como os adultos fazem - calam e seguem,
Mas creio, ainda jovem o suficiente para me dar ao luxo de ainda pedir abraços,
Esses que a minha mãe então nega, e diz:
Se é por essa mulher, faz esse luto sozinha.

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