sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Avó

Pudesse eu acolher todas as avós
Desde que perdi a minha...
(Não perdi)
Está num qualquer lugar e ao alcance da minha saudade.
Não me apego a todas as pessoas.
Não ligo a almoços de família, aos domingos, às festas.
Mas ela era diferente: Era artista no peito e na alma.
Cantava e queria ser livre, como eu.
Não foi artista e nunca foi livre.
Fecharam-lhe as portas dos palcos e mandaram-na ficar em casa,
Por amor.
Foi para a rua ensinar os meninos, nas salas-de-aula.
Teve seis filhas e aceitou todos os fados,
Assim como os cantou.
E certo dia, de frente para o cristo redentor, no Corcovado, entoou as suas preces numa oração que todos escutaram em silêncio, fazendo uma roda à sua volta, comtemplando e sentindo a sua devoção a cristo.
Foi a sua promessa.
A minha é escrever-te, avó.



Nenhum comentário:

Postar um comentário