Estou cansada deste texto,
Recorrente, batido.
A rotina do costume....
Os olhares impenetráveis, distantes.
Como os pés.
Silêncios sem corpo.
A ausência gritante que se ignora um tempo.
Cometem-se uns crimes connosco próprios.
Eu senti um perfume novo, os olhares eram mais doces.
Existe magia e música a prender-me ao chão.
Sempre fugi só porque quis
Mas permanecem rotinas.
As fotografias distantes, frias,
Como os pés.
Palavras sem emoção.
Contam-se piadas que já não se acham graças.
Ergo com a pouca força que tenho as cortinas do palco que se fecham por cima de mim,
Os braços sem força.
Há ainda toda uma multidão que espera por um próximo acto.
Que espera o regresso do artista ao palco.
Vivo na peça, o último acto, criado por mim.
Há ainda um público que espera calor cá em cima.
As cortinas estão fechadas ainda que eu esteja por detrás delas vestida de vida,
Ainda que eu esteja por detrás delas toda vestida de amor,
Ainda que por trás de mim esteja todo um grandioso cenário montado.
Ainda que tudo esteja preparado para mais um acto.
Está sempre tudo pronto a recomeçar.
Mas as cortinas não sobem.
O público levanta-se e eu desço do palco, e de mim.
Jan/2017
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