O corpo leva o seu ritmo mas acostuma-se ao lugar e ao tempo. Reaprendemos a caminhar num mundo em que não podemos viver o amor. Guardamos numa caixa bonita. Colocamos de parte, abraçamos a solidão de nós e o que resta da vida depois disso.
Redescobrimos o valor da amizade e compreendemos como também essa pode ser um gesto de amor.
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Redescobrimos o valor da amizade e compreendemos como também essa pode ser um gesto de amor.
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Vestimos uma super carapaça de bem estar e amor próprio.
Mesmo os dias cinzentos nos parecem bonitos. Abrimos os braços e deixamo- nos molhar pela chuva que cai porque somos impermeáveis.
Baixamos as armas, derrubamos muros, abrimos fronteiras e convidamos o mundo a entrar na nossa sala de estar.
Afinal, a nossa sala de estar não tem assim tanto espaço. Afinal até nos sentimos a sufocar. Afinal as paredes e tectos começam a apodrecer, a ganhar um qualquer tipo de bolor, a ruír. Corremos ao quarto em busca de isolamento mas o corpo com medo também não quer estar só.
Nós pensávamos que era uma festa. Havia balões e enfeites bonitos. Havia pratos na mesa, bolos e rissóis.
De repente vindo de sei lá de onde estamos a caír a pique num sonho do qual não somos capazes de acordar. Nenhuma cara é reconhecível, nenhum local parece familiar.
Afinal não somos impermeáveis e inicia-se em nós uma tempestade que condiz com as ruas onde nos arrastamos à passagem de uma incontrolável ventania.
Hoje chovemos nós e porque chover constrange o outro arranjamos maneiras de só chover nos locais seguros.
Chovemos na copa, no elevador, no carro, na casa de banho do centro comercial e quando nos entra qualquer coisa maldita para o olho.
Respiramos fundo e dizemos para nós 'eu já estive aqui'. Lavamos a alma debaixo de uma água escaldante na esperança que se dissolva de uma vez por todas.
Percorro uma vez mais um labirinto que já me é conhecido e espero chegar à saída mais rápido que das outras vezes. Faço este caminho há tantos, tantos anos e ainda não aprendi que é melhor ir pela estrada ao invés de apanhar atalhos que não me oferecem uma saída só porque me parecem, sempre, mais bonitos.
Um grito de raiva instala-se porque os amantes não-amados não podem compreender porque nascem sempre tão inúteis.
Os amantes não-amados não podem compreender porque silenciar o amor cura quando são feitos de música.
Os amantes não-amados não podem compreender porque é que o seu amor não salva.
Os amantes não-amados não conseguem compreender porque é que o seu amor não é capaz de mudar o mundo.
Os amantes não-amados não conseguem compreender porque têm que segurar esta cruz.
Os amantes não-amados não conseguem perceber porque nos mantém vivos.
Porque nos fazem reféns.
Porque nos querem aqui.
Mesmo os dias cinzentos nos parecem bonitos. Abrimos os braços e deixamo- nos molhar pela chuva que cai porque somos impermeáveis.
Baixamos as armas, derrubamos muros, abrimos fronteiras e convidamos o mundo a entrar na nossa sala de estar.
Afinal, a nossa sala de estar não tem assim tanto espaço. Afinal até nos sentimos a sufocar. Afinal as paredes e tectos começam a apodrecer, a ganhar um qualquer tipo de bolor, a ruír. Corremos ao quarto em busca de isolamento mas o corpo com medo também não quer estar só.
Nós pensávamos que era uma festa. Havia balões e enfeites bonitos. Havia pratos na mesa, bolos e rissóis.
De repente vindo de sei lá de onde estamos a caír a pique num sonho do qual não somos capazes de acordar. Nenhuma cara é reconhecível, nenhum local parece familiar.
Afinal não somos impermeáveis e inicia-se em nós uma tempestade que condiz com as ruas onde nos arrastamos à passagem de uma incontrolável ventania.
Hoje chovemos nós e porque chover constrange o outro arranjamos maneiras de só chover nos locais seguros.
Chovemos na copa, no elevador, no carro, na casa de banho do centro comercial e quando nos entra qualquer coisa maldita para o olho.
Respiramos fundo e dizemos para nós 'eu já estive aqui'. Lavamos a alma debaixo de uma água escaldante na esperança que se dissolva de uma vez por todas.
Percorro uma vez mais um labirinto que já me é conhecido e espero chegar à saída mais rápido que das outras vezes. Faço este caminho há tantos, tantos anos e ainda não aprendi que é melhor ir pela estrada ao invés de apanhar atalhos que não me oferecem uma saída só porque me parecem, sempre, mais bonitos.
Um grito de raiva instala-se porque os amantes não-amados não podem compreender porque nascem sempre tão inúteis.
Os amantes não-amados não podem compreender porque silenciar o amor cura quando são feitos de música.
Os amantes não-amados não podem compreender porque é que o seu amor não salva.
Os amantes não-amados não conseguem compreender porque é que o seu amor não é capaz de mudar o mundo.
Os amantes não-amados não conseguem compreender porque têm que segurar esta cruz.
Os amantes não-amados não conseguem perceber porque nos mantém vivos.
Porque nos fazem reféns.
Porque nos querem aqui.

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