Os domingos sempre me traem, como os sonhos. Existem circunstâncias que ainda saem do meu controlo. Quando assim o é, pela inutilidade de raciocinar porquês, para evitar desastres de responder a impulsos, durmo. Muito. É o meu dia de pausa. Como hoje que dormi todo o dia. Todo-o-dia. Quando acordo ou a vontade passa, ou dá-me pra escrever, ao mundo. Em dias de grande fragilidade só há uma primeira escolha. Querem saber quem amam? Aí têm. No chão, na morte, no medo, no medo da morte, quem é a primeira pessoa que vos vem à cabeça? É essa a pessoa. Em todo o caso, se teve que terminar, não pode haver amizade de dia a dia. Saber-se do outro. Eu, que tenho uma boa relação com todas as pessoas que passaram pela minha vida até hoje salvo raríssimas excepções - Foi preciso tempo. Depois depende das situações quanto tempo é preciso. Se ainda se ama, o que para mim nos términos só aconteceu uma vez, é preciso muito mais tempo. Tem que haver espaço - cortar-se uma rotina, se queremos preservar o que ficou. Guardar num espaço bonito e optar por não destruir o que resta -resta sempre algo.
E nisto só uma coisa me aflige, já que falamos de Amor, além da minha idade que me repugna, à qual deposito parte das culpas, e não devia, que é a sensação de estar a perder dias e provavelmente anos. Dias e provavelmente anos sem ver crescer - crescemos a vida toda, mudamos, evoluímos - sentir que perco sinais nas costas, sorrisos, vitórias, um rosto que se vai modificando. E já não temo as minhas mortes. Não me aflige fumar mais ou menos, correr riscos. A minha esperança média de vida é o amor que guardo dentro. Não almejo viver muitos anos mas apenas quantos esteja o meu amor pelo mundo a Ser. E como diz Brel, que seja eu uma mera espectadora se a vida entender que eu não mereço perdão. Seja. Sem ela no peito, sou sem jeito, vagabunda, sem vida, 24h/dia todos os dias. Mas enquanto habita em mim e eu deixo de tentar abortar esse sentimento tão meu e tão intrínseco, sou feliz a maior parte do tempo. Tenho vontades, apetite, sou forte e sou capaz. Vou atrás. Quero viver. Depois há um dia de luto, um dia em que o morar no peito não chega e queremos o aconchego dos braços. Poder acariciar a pele, ver acordar e ver dormir. Ouvir respirar. Rir - E depois dormimos e passa.
Chamem-me louca - A loucura é o refúgio mais bonito. Amar é bonito. Não tenho nada a perder. Amanhã é dia de voltar a lutar por todos os sonhos, ser maior e melhor. Evoluir, crescer, amadurecer.
E se a vida não trouxer o meu amor de volta? Fui feliz. Não há nada errado na espera - se não esperamos sentados, inúteis, e desistimos de nós.
É porque O meu Amor existe, que eu não desisto de mim.

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