quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Os braços de quem sabe quem Sou

Ela parou de fazer amor comigo e fita-me, intrigada.
O que fazes aqui, menina? Tu não pertences aqui. - Diz-me, com um ligeiro riso.
Terei sido demasiadamente doce? - penso.
Confesso que me desfez por momentos, aquela afirmação.
Fiquei momentaneamente sem resposta.
E depois, fiquei confirmadamente sem resposta.
O meu corpo falou por mim.
Desapego-me dos seus braços até agora quentes,
Agora frios,
E olho em redor.
Que foi feito de mim?
O quarto, um caos - para condizer com a cabeça.
Dois copos de vinho em cima da mesa de cabeceira,
Vazios,
Como a garrafa.
E nesta só reflexos de lucidez e discernimento mandados fora.
São cinco e meia da manhã,
E a minha noite resumiu-se a amar o não amável.
Mais uma vez.
Pedaços de nós espalhados por um quarto que não é o meu,
Um chão que não é o meu,
Um tecto que não é o meu,
Nem ela.
Pedaços de nós que não se vão juntar.
Ela pertence ao mundo do amor fugaz
Do amor da noite,
E eu finjo pertencer porque parece mais fácil.
Ninguém está certo,
Ninguém está errado,
E eu estou só longe:
De mim.
Visto a primeira coisa que as mãos alcançam,
Pego nas chaves,
E saio.
Não, eu não pertenço aqui.
Nem aqui nem aos braços de quem só me vê os traços.
Quero só os braços de quem sabe, e sente,
Quem Sou.

Mesmo quando finjo ser tudo o que não dói em mim.





Nenhum comentário:

Postar um comentário