domingo, 12 de outubro de 2014

Então Adeus

Já deste por ti a olhar para a última vez em que foste feliz?
O fim daquele que fora um princípio cheio de sonhos,
Quando tudo acabou?
Voltas àquele mesmo instante [em cada noite]
E perguntas-te porque não o aproveitaste mais.
Aquele último beijo, dado à pressa,
E sabias lá tu que seria o último.
Essas coisas sentem-se, não te enganes,
E não enganes tu, poeta,
Esta audiência que te lê, e sente, e ouve em pensamentos,
Tu sabias.
Sentiste-o no toque dos seus lábios nos teus
Já não estava ali.
Há quem prefere dizer não às despedidas.
Há quem prefere fingir que não as sabe.
Depois arrependes-te de não as viver.
Seria esse o nosso último beijo?
Então tempo leva me atrás,
Deixa-me perder esse autocarro,
Ficar só mais uns segundos
E agarrar me aos seus braços.
Que puta de vida,
Não foi?
Sim, não foi.
Que isto já não é vida,
Não é vida uma vida sem amor.
Então adeus,
Levo-te comigo.
Ou então, ficas só à passagem daquela rua
Tão cheia de música e vida e arte,
Onde ainda [te] leio quando passo,
"Paris em Lisboa"




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