quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Já te foste confessar?

Olá, e desculpa.
Devo avisar-te que te vou magoar. Vou magoar-te sempre.
Ninguém merece ser magoado,
Mas na verdade eu não vou ter escolha por muito tempo, tu queres uma resposta e eu devo dar-ta.
Não me aproximei falsamente, achei-te realmente graça, mas é só.
Se te uso? Mas é claro que uso!
Bem como todo o mundo...
Não há emoção em mim já.
Na realidade apetece-me agora ter-te do meu lado, mas eu sei que isso dura apenas dez minutos. Depois farto-me outra vez.
Todos nos fartamos. Eu farto-me um pouco mais rapidamente, porque nada realmente me interessa, apenas ando por aqui a tentar extraír emoções...
Que não vêm (pensei que viessem, Desculpa.)
Desculpa,
Eu sei que não mereces.
Obrigada pelo poema, e pelas cartas de correio.
Desculpa se não te respondo aquilo que queres ouvir.
Desculpa se não te engano, prometo estar quase, quando me fartar de nunca estar quase.
Queres que te diga que te amo? Está bem, di-lo-ei.
Sim, eu sei que estou a fazer exactamente o mesmo que me fizeram a mim,
É um ciclo karmico este em que entrei, mas já não tenho saída.
O meu coração não está aberto, e o meu corpo só por agora.
Amanhã, por favor, afasta-te e deixa-me,
Antes que eu acorde e me lembre mais uma vez que não és tu quem eu quero a meu lado.
Se queres entrar neste jogo de fingir amor,
Alinho.
Se não, Afasta-te-
Porque eu não sou susceptível de amor,
Já te disse que não sou,
E a paixão dura só enquanto estou inconsciente.
Desculpa,
Porque quando eu fecho os olhos,
Não é em ti que penso.
Desculpa,
E adeus.



domingo, 12 de outubro de 2014

Então Adeus

Já deste por ti a olhar para a última vez em que foste feliz?
O fim daquele que fora um princípio cheio de sonhos,
Quando tudo acabou?
Voltas àquele mesmo instante [em cada noite]
E perguntas-te porque não o aproveitaste mais.
Aquele último beijo, dado à pressa,
E sabias lá tu que seria o último.
Essas coisas sentem-se, não te enganes,
E não enganes tu, poeta,
Esta audiência que te lê, e sente, e ouve em pensamentos,
Tu sabias.
Sentiste-o no toque dos seus lábios nos teus
Já não estava ali.
Há quem prefere dizer não às despedidas.
Há quem prefere fingir que não as sabe.
Depois arrependes-te de não as viver.
Seria esse o nosso último beijo?
Então tempo leva me atrás,
Deixa-me perder esse autocarro,
Ficar só mais uns segundos
E agarrar me aos seus braços.
Que puta de vida,
Não foi?
Sim, não foi.
Que isto já não é vida,
Não é vida uma vida sem amor.
Então adeus,
Levo-te comigo.
Ou então, ficas só à passagem daquela rua
Tão cheia de música e vida e arte,
Onde ainda [te] leio quando passo,
"Paris em Lisboa"




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

"Adivinha o quanto eu gosto de ti"

Gostar e amar são amigos.

O gostar vem primeiro (às vezes vem o não gostar primeiro), 
E amar vem depois. 
Gostava de falar-vos disso.

Para mim, dizer gosto de ti poderá ser mais profundo do que dizer-se um "amo-te".
Não sei se pela expressão "amo-te” tanto se ter vulgarizado, se por a palavra gostar parecer remontar a um período anterior, enquanto ainda não se ama. 
Antes de amar, gosta-se.
O gostar é a base do amar.
Depois, gosta-se muito muito, e aí, ama-se.

Gosto de Ti. Digo-o, penso, e sorrio. 
Gosto de gostar.
Gostar para mim é o além loucura, o além desejo sexual, o além “anda cá, deixa-me fazer amor contigo”;
É o que resta das relações bonitas,
É a parte racional do amor. 
E sim, o amor tem parte racional - o gostar. 
Por isso muitos amam, e passa. 
Amam uma noite,
Amam após o orgasmo [Todos amamos depois do orgasmo]
E eu amo, se amo...
E gosto, também!


Gosto de Ti porque gosto da maneira como sorris. A maneira como te expressas e pronuncias cada palavra, a maneira como pensas, e como não pensas às vezes.
Gosto da maneira como és só e acompanhada,
Gosto de cuidar de Ti, e mesmo que não o possa fazer,
Gosto então de ser susceptível de (Te) cuidar.
Gosto de estar, gosto que estejas,
Perto ou longe - gosto da tua existência.
Gosto quando gostas dos outros, e quando não gostas.
Quando tens fé, e na descrença.
És engraçada, és bonita - para quê florear, se é só isto?
Se gostar, é isto!
Gosto da tua beleza;
Aquela que em Ti é convencional, e aquela que não é "das revistas", 
E gosto da beleza que vejo em Ti, que é só minha.
Gosto de poder dizer que gosto de Ti, 
Gosto que gostes que goste de Ti.
Gosto de Ti, e amo-te. 
Amo-te muito, muito
Mas gosto-te, essencialmente.
Tudo, em Ti.
Porque tudo em Ti são pequenos teus que te constroem e fazem de Ti esse EU,
Subtilmente grandioso.

Isso, guarda-te.
E abre-te a quem merece esse sorriso, essa escrita, essas palavras, esse olhar, esse passo, esse sim e esse não que habitam em Ti, essa calma e essa tempestade, e te aceitem assim, como eu, e um pouco mais melhor que eu.

Se o são,
Se to dão?
Então, também lhes gosto.

Sabes,
Eu gosto de Ti.



Gosto realmente de TI.






Mãe, acho que hoje estou a precisar de ti.

Mãe, 
Hoje preciso de ti.
Se calhar vais estar num daqueles dias bons em que me ouves e me falas durante horas.
Se calhar não, mas refugio-me à mesma em ti, arranjo manerias. Sempre o faço.
Qualquer dependência é de pendência.
Estou pendente.
Estou pendente de tudo e todos os que me movem em sentido oposto ao meu chão.
Por isso não digo mais “vou andando”, flutua-se sem jeito. Rasteja-se, às vezes.
E eu sou tão dependente das coisas.
Sou tão dependente de ti, embora não o mereças sempre. 
Embora não o mereças.
Ninguém merece ser a nossa dependência.
Ninguém merece estar pendente.
Sei que as minhas actuações não são de todo saudáveis. 
Tudo em meu redor, é doentio e lentamente me esquarteja qualquer sentido de racionalidade que tente atingir.
Tento-o diariamente. 
Vivo em espiral mas não lhe sei o fim. 
Digo-me racional mas não - Faço-me.
Caminho só. 
Não me adapto a mim - Fujo-me, procuro-me incessantemente.
Acabo nos braços de alguém - Mesmo que não seja real, sonho-o. 
Afinal não sei onde começa a minha razão, e onde acaba a minha emoção. 
Acho que as misturo e cozinho asneiras atrás de asneiras.
Eu  sei, começo a perder os argumentos.
Sim, eu também não te mereço.
Talvez eu não mereça, na verdade, mulher alguma.
As que me amam, perdem.
As que eu amo, perdem.
E eu perco-me nisto.
Perdemos todos, sei lá. Perdemos tempo, perdemos paciência, perdemos amor – É que eu não sei fazer ganhar nada. Não é de mim essa capacidade de engrandecer, só estrago.
Às vezes sinto tanto a sua falta, sabes? Deixa-me dizer-to, porque preciso que me digas que tenho que sentir só falta de mim,
Para me encontrar.
E aí recomeço a procura, e pode ser que desta vez...

Na realidade tudo isto que me falta é um pouco a falta que eu sinto de ti.

Mãe, 
Eu hoje preciso ouvir os teus inúmeros exemplos de vida, de ti e dos outros, e até os repetidos, que me fazem sentir um pouco menos só. 
Ouvir-te até deixar de te ouvir.
Podes até falar da religião e invocar o teu Deus, que tu julgas ser nosso. 
Hoje não me vou opor àquilo que pensas ser verdade.
Para o fazer, terei de ter resposta para o que é verdade em mim, e eu, não tenho verdade.
Tão pouco sei da minha existência senão quando dói.
E apesar de todos os nossos mal-entendidos és a minha única certeza.
É que mesmo no dia em que te fores, serás mãe para sempre.
Então és o meu para sempre.
E hoje, eu preciso do para sempre - Daquilo que fica. 
Preciso sentir que algo resta.
Aquilo que fica mesmo quando erro - e tenho tanto por errar, porque eu não sei viver senão em erro.
Eu não sei senão experimentar os meus riscos, queimar-me na minha real-idade, 
Que eu nego, e nego, e nego outra vez.
Não quero nada disto - mas fantasio, dou-lhe cor. 
Ando em preto mas visto-me de azul, para ofuscar a dor.
Se eu pudesse ao menos ser mais feliz, quando feliz, do que sou triste, quando triste.
Poder balancear-me, e acertar-me, como as balanças ou os relógios.
Sou um relógio parado. 
A hora passa por mim, e eu sou certa durante 60 segundos, duas vezes ao dia.
Talvez eu consiga superar esta dor, este vazio, esta falta de alguém que só tu podes, temporariamente nestes períodos de dor, de vazio, de falta, quase substituir.
Talvez porque tu, sendo certeza, sejas o oposto da dúvida, da exclamação que é o meu coração.
Então, liga-me e vamos falar. 
Passar tempo até eu me esquecer de mim,
Para depois recomeçar a encontrar-me, mais uma vez. 
Este relógio que sou eu, sempre fora de tempo.

Mãe 
Acho que hoje estou a precisar de ti.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Os braços de quem sabe quem Sou

Ela parou de fazer amor comigo e fita-me, intrigada.
O que fazes aqui, menina? Tu não pertences aqui. - Diz-me, com um ligeiro riso.
Terei sido demasiadamente doce? - penso.
Confesso que me desfez por momentos, aquela afirmação.
Fiquei momentaneamente sem resposta.
E depois, fiquei confirmadamente sem resposta.
O meu corpo falou por mim.
Desapego-me dos seus braços até agora quentes,
Agora frios,
E olho em redor.
Que foi feito de mim?
O quarto, um caos - para condizer com a cabeça.
Dois copos de vinho em cima da mesa de cabeceira,
Vazios,
Como a garrafa.
E nesta só reflexos de lucidez e discernimento mandados fora.
São cinco e meia da manhã,
E a minha noite resumiu-se a amar o não amável.
Mais uma vez.
Pedaços de nós espalhados por um quarto que não é o meu,
Um chão que não é o meu,
Um tecto que não é o meu,
Nem ela.
Pedaços de nós que não se vão juntar.
Ela pertence ao mundo do amor fugaz
Do amor da noite,
E eu finjo pertencer porque parece mais fácil.
Ninguém está certo,
Ninguém está errado,
E eu estou só longe:
De mim.
Visto a primeira coisa que as mãos alcançam,
Pego nas chaves,
E saio.
Não, eu não pertenço aqui.
Nem aqui nem aos braços de quem só me vê os traços.
Quero só os braços de quem sabe, e sente,
Quem Sou.

Mesmo quando finjo ser tudo o que não dói em mim.