No caminho para casa,
Escuto-a.
Fumo um cigarro que demora em mim,
Como ela demora em mim.
No caminho para casa,
Os meus passos são os dela,
Em compassos que se acertam com as melodias,
Espero-a em cada ruela.
No caminho para casa,
Fala-se da crise nas ruas,
Dos amores perdidos,
E dos não correspondidos
No caminho para casa,
Eu esqueço toda uma realidade deprimente,
Que a realidade é ela,
E dentro dela, sou contente.
No caminho para casa,
O cigarro já se apaga
E eu estou cansada da sua distância,
E do que dela se afasta e propaga
No caminho pra casa,
Vejo-a em cada rua,
Ligeiramente nua,
Nunca minha,
Nunca inteiramente sua.
No caminho para casa,
Desejo-a tão irresistivelmente
Prender-lhe nos meus braços
E ser muito mais decente,
Do que fui com as outras.
Que ela merece inteiro
O que para o mundo fui
Sempre pela metade.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
sábado, 8 de novembro de 2014
Como te atreves?
Os teus lábios nos meus - só desastres,
Numa neblina de disformes contrastes.
Unimo-nos a este incerto fado que nos estremece
E tu desejas-me numa ofegante prece!
E tu desejas-me numa ofegante prece!
Falas com o coração,
Calas ruídos alheios,
E silencias os medos,
E apaixonas-me os seios.
Vertemos lágrimas doces,
Em alegrias sintónicas,
Gememos prazeres adormecidos,
As vozes já afónicas!
Os teus olhos lêem-me a mente,
E amas-me ao infinito,
E eu já não estou em órbita terrestre,
E o teu corpo é o mais bonito!
És sol que nasce e sol que se põe em mim,
Estás-me presente da noite ao dia,
E a lua esconde-te para se mostrar a ela,
Mas és também tu quem na noite me guia.
E nasces, de novo, pela janela,
E desenhas nas paredes dois corpos leves,
Como ousas encantar-me assim,
Como te atreves?
Estou ébria de desejo por ti,
E mais ainda por tocar-te nua,
Conhecer-te o interior desses doces olhos,
[E hoje eu cedo ao inconsciente]
Que já só me sinto tua.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Queres construír-me de novo?
O meu coração dispara assim que o telefone toca
A sua voz acalma-me as pulsações e os medos
Estou assustada de mim mesma,
Sem saber o que sinto por quem só oiço a voz,
E sonho sentidos.
Não sentido os seus lábios,
Já são dela os meus,
E beijo-a mesmo de longe.
Fazemos amor sem corpos.
Ela é o sol que me desperta pela manhã,
E me diz essas coisas que eu já não ouvia,
- Nem sabia ouvir.
Sinto-me segura em braços que não conheço,
Se não o entendo também já não busco a lógica.
Quero o seu riso e o seu sorriso,
A sua pele na minha que conheço por fotografias,
E quase lhe sinto o cheiro da pele com o perfume que deixa nas cartas.
Outrora sem chão,
Pisando caminhos que a sanidade não se arrisca,
Inundada por um desejo insaciável de recordações
Tão falsas, tão cortantes.
Tudo aquilo que um corpo não deve fazer à alma.
E eis que esta mulher me ampara nos braços,
E me embala sobre as nuvens.
E pergunto-lhe baixinho,
Perto do adormecer,
Queres construir-me de novo?
Remar sob oceanos como se o vento nos levasse?
Que a distância é nada quando os corpos e os corações se querem...
Alors viens contre moi,
Je t'embrasse.
A sua voz acalma-me as pulsações e os medos
Estou assustada de mim mesma,
Sem saber o que sinto por quem só oiço a voz,
E sonho sentidos.
Não sentido os seus lábios,
Já são dela os meus,
E beijo-a mesmo de longe.
Fazemos amor sem corpos.
Ela é o sol que me desperta pela manhã,
E me diz essas coisas que eu já não ouvia,
- Nem sabia ouvir.
Sinto-me segura em braços que não conheço,
Se não o entendo também já não busco a lógica.
Quero o seu riso e o seu sorriso,
A sua pele na minha que conheço por fotografias,
E quase lhe sinto o cheiro da pele com o perfume que deixa nas cartas.
Outrora sem chão,
Pisando caminhos que a sanidade não se arrisca,
Inundada por um desejo insaciável de recordações
Tão falsas, tão cortantes.
Tudo aquilo que um corpo não deve fazer à alma.
E eis que esta mulher me ampara nos braços,
E me embala sobre as nuvens.
E pergunto-lhe baixinho,
Perto do adormecer,
Queres construir-me de novo?
Remar sob oceanos como se o vento nos levasse?
Que a distância é nada quando os corpos e os corações se querem...
Alors viens contre moi,
Je t'embrasse.
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